domingo, 13 de setembro de 2009

Mas afinal o que é um LEM?




LEM – Laboratório de Ensino de Matemática

“ Se ouço, esqueço; se vejo, lembro; se faço, compreendo”.
( Paulo Freire)


Muitos foram os educadores famosos que, nos últimos séculos, ressaltaram a importância do apoio visual-tátil como facilitador para aprendizagem. Assim, por exemplo, por volta de 1650, Comenius escreveu que o ensino deveria dar-se do concreto ao abstrato, justificando que o conhecimento começa pelos sentidos e que só se aprende fazendo.

Locke, em 1680, dizia da necessidade da experiência sensível para alcançar o conhecimento. Cerca de cem anos depois, Rousseau recomendou a experiência direta sobre os objetos, visando a aprendizagem. Pestalozzi e Froebel, por volta de 1800, também reconheceram que o ensino deveria começar pelo concreto; na mesma época, Herbart defendeu que a aprendizagem começa pelo campo sensorial.

Por volta de 1900, Dewey confirmava o pensamento de Comenius, ressaltando a importância da experiência direta como fator básico para construção do conhecimento, e Poincaré recomendava o uso de imagens vivas para clarear verdades matemáticas.

Mais recentemente Montessori legou-nos inúmeros exemplos de materiais didáticos e atividades de ensino que valorizam a aprendizagem através dos sentidos, especialmente do tátil, enquanto Piaget deixou claro que o conhecimento se dá pela ação refletida sobre o objeto; Vygotsky, na Rússia, e Bruner, nos Estados Unidos, concordaram que as experiências no mundo real constituem o caminho para a criança construir seu raciocínio.

Enfim, cada educador, a seu modo, reconheceu que a ação do indivíduo sobre o objeto é básica para a aprendizagem.
Há mais ou menos no ano 250 a.C. Arquimedes, escreveu a Eratóstenes, dizendo: “ é meu dever comunicar-te particularidades de certo método que poderás utilizar para descobrir, mediante a mecânica, determinadas verdades matemáticas... as quais eu pude demonstrar, depois, pela Geometria”. Desse modo Arquimedes revelou o modo pelo qual fazia descobertas matemáticas e confirmou a importância das imagens e dos objetos no processo de construção de novos saberes.


Enfim, não faltam argumentos favoráveis para que as escolas possuam objetos e imagens a serem utilizados nas aulas, como facilitadores da aprendizagem.


O LEM (Laboratório de Ensino de Matemática) simplesmente é indispensável à escola.

Mas o que é um LEM?
LEM é um local da escola reservado preferencialmente não só para aulas regulares de matemática, mas também para tirar dúvidas de alunos; para os professores de matemática planejarem suas atividades, sejam elas aulas, exposições, olimpíadas, avaliações, entre outras, discutirem seus projetos, tendências e inovações; um local para criação e desenvolvimento de atividades experimentais, inclusive de produção de materiais instrucionais que possam facilitar o aprimoramento de prática pedagógica.
O LEM é o lugar da escola onde os professores estão empenhados em tornar a matemática mais compreensível aos alunos.
Segundo Sérgio Lorenzato( mestre e doutor em educação pela Unicamp e pós-doutor em educação matemática pela Université Laval – Canadá), para muitos professores, todas as salas de aula e todas as suas aulas devem ser um laboratório onde se dão as aprendizagens da matemática. Essa é uma utopia que enfraquece a concepção possível e realizável do LEM, porque ela pode induzir professores a não tentarem construir o LEM num certo local da escola em que trabalham, seja este numa sala, num canto ou num armário.
Existem diversos tipos de LEM, em razão dos seus diferentes objetivos e concepções. Apesar dessa diversificação, a lista seguinte de sugestões de materiais didáticos, instrumentos ou equipamentos pode ser a base para a constituição de muitos LEM, cada um adaptado ao contexto em que estiver inserido.

De modo geral, o LEM pode constituir-se de coleções de:
· livros didáticos;
· livros paradidáticos;
· livros sobre temas matemáticos;
· artigos de jornais e revistas;
· problemas interessantes;
· questões de vestibulares e de Olimpíadas Matemáticas;
· ilusões de ótica;
· jogos;
· quebra-cabeças;
· figuras;
· sólidos;
· modelos estáticos ou dinâmicos;
· quadros murais;
· materiais didáticos industrializados;
· materiais didáticos produzidos pelos alunos e professores;
· instrumentos de medida;
· filmes, DVDs, CDs, softwares
· calculadoras;
· computadores
· materiais e instrumentos necessários à produção de materiais didáticos.

A construção de um LEM não é objetivo para ser atingido a curto prazo; uma vez construído, ele demanda constante complementação, a qual, por sua vez, exige que o professor se mantenha atualizado.


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