
Os Blocos Lógicos como instrumento para a estimulação do raciocínio lógico
(livro: Blocos Lógicos – 150 exercícios para flexibilizar o raciocínio – Úrsula M. Simons. Editora Vozes)
Observamos que, a partir do período sensório-motor, a criança tem um longo caminho a percorrer para construir seu raciocínio, passando pelo raciocínio pré-lógico até atingir o raciocínio lógico. Uma criança que tenha sido adequadamente estimulada faz essa construção até os seis ou sete anos. Para que possa desenvolver uma aprendizagem acadêmica flexível e tornar-se criativa, é necessário que tenha atingido plenamente o raciocínio lógico. Entretanto, é com grande freqüência que observamos crianças com idade de oito, nove ou dez anos ainda com dificuldades de conservação de quantidades físicas, de classificação ou de inclusão de classes. Isto se dá pela ênfase que muitas escolas dão aos conteúdos acadêmicos, em detrimento do trabalho com a estrutura lógica. Vemos muitas escolas se vangloriarem-se de que os alunos já sabem ler; entretanto, não conseguem classificar nem seriar. Isto vem trazer sérias dificuldades de aprendizagem no decorrer da escolaridade.
O conhecimento lógico-matemático é construído através da ação, a partir de relações que a própria criança cria entre os objetos; a partir dessas relações, vai criando outras e, assim, sucessivamente. Essas relações são incorporadas de tal forma que não são mais esquecidas, pois fazem parte da estrutura do sujeito.
O principal objetivo da educação deve ser: formar pessoas criativas, seguras, capazes de fazer coisas novas, e não apenas criar enciclopédias ambulantes. Importante é saber procurar informações numa enciclopédia, e não incorporá-la.
Os Blocos Lógicos
São compostos de 48 blocos, com 4 variáveis: cor, forma, tamanho e espessura. Existem 3 cores: vermelho, azul e amarelo; quatro formas: quadrado, triângulo, círculo e retângulo; dois tamanhos: grande e pequeno; duas espessuras: grosso e fino.
SUGESTÕES DE ATIVIDADES
1) Jogo do rabo da pipa - I
Trabalhamos a motivação das crianças, perguntando se elas sabem o que é uma pipa, que ela precisa ter um rabo comprido e colorido para deixá-la ainda mais bonita; se já viram uma voando, etc. Com os blocos, podemos construir rabos de pipas muito bonito. Cada criança joga o dado com as manchas de cor e coloca uma peça segundo a cor que aparece
Na face superior do dado, sempre verbalizando a cor que está colocando. Isto vai formar uma sequência longa no chão da sala, com voltas, como as crianças desejarem.
2) Jogo do rabo de pipa – II
O jogo anterior pode ser enriquecido se jogarmos com dois dados: o mesmo com as cores, e um segundo dado com um, dois ou três pontos nas faces. Se os dados das quantidades cair com dois pontos na face superior, e o dado das cores com o azul na face superior, a criança coloca duas peças azuis e passa a vez para o próximo, que joga também os dados. Cada vez a criança deve verbalizar a quantidade e a cor; por exemplo: “ Vou colocar duas peças azuis”. Isto resulta num rabo de pipa interessante, com repetições de cores.
3) Jogo de dominó com, pelo menos, uma diferença.
Distribuímos as peças entre as crianças e orientamos: “ Vamos construir um “trem” bem comprido. A “locomotiva” está colocada; é um triângulo, amarelo, grande e fino. A próxima peça deve ter ao menos uma diferença”. A primeira criança coloca um círculo, amarelo, pequeno e grosso. Ela deve justificar qual a diferença que observou. Pode ter visto que essa peça é um círculo , e não perceber as outras diferenças. Neste momento, esta percepção é suficiente, pois é uma atividade difícil para a criança e deve ser iniciada paulatinamente. O próximo a jogar escolhe outra peça e assim por diante, sempre justificando seu uso. As peças podem ser distribuídas entre as crianças, e cada uma, a sua vez, deve raciocinar sobre qual peça poderá ser colocada, pois está empenhada em se livrar de suas peças, entretanto, sempre deve justificar a colocação.
Obs.: Você pode incentivar também o jogo do dominó com, pelo menos, duas diferenças, ou três diferenças e até quatro diferenças...
4) Jogo de bingo com figuras
São confeccionadas cartelas com os desenhos de todas as figuras. Podem ser montadas 8 cartelas com seis figuras, se não houver repetição; é possível criar muito mais cartelas, se houver permuta das figuras entre as cartelas. Estas são repartidas entre as crianças. As peças são colocadas todas dentro de um saco. Uma criança retira uma peça e a descreve: um quadrado, vermelho, grosso, pequeno. A criança que tiver o desenho em sua cartela tem o direito de colocar um feijão ou uma pedrinha sobre a figura e marcar os lugares. Quem primeiro completar sua cartela vence o jogo.
Obs.: Este jogo também pode ser jogado apresentando-se cartelas com atributos em lugar de mostrar as peças.
5) Jogo da corrida de passos
Cada criança recebe uma peça, e todas ficam paradas numa linha. O objetivo e dar passos para atingir uma meta combinada. Uma criança lidera o jogo e tida da caixa uma peça, mostrando-a às demais. Elas comparam suas peças com a peça mostrada e analisam as características que têm em comum. Para cada característica em comum, podem andar um passo. Pegam outra peça e repetem a brincadeira. Quem alcançar primeiro o lugar combinado ganha o jogo.